13 de agosto de 2017

Jantar Secreto - Raphael Montes


Dante é um jovem vindo do interior do Paraná, mais especificamente de Pingo d’Água, recém-matriculado em uma universidade no Rio de Janeiro que, junto de mais três amigos, almeja iniciar uma nova vida. As coisas não estão fáceis para ninguém, e é uma grande sorte quando eles encontram o apartamento perfeito, e o mais importante, por um preço acessível. 
Os quatro amigos não poderiam ser mais diferentes. Dante, o narrador dessa história, estudante de administração, trabalha em uma livraria e controla seu sono a base de Rivotril. Hugo é dono de um ego tão alto que por vezes até irrita, e é também o aspirante a chef dos quatro. Leitão é um hacker que parece viver em um universo paralelo dentro de seu quarto, sempre fumando um cigarro de maconha e comendo pizza. Por último, mas tão importante quanto, temos Miguel, que faz medicina, e de longe é o mais centrado do grupo, prezando sempre pelo que é certo – o que não impede as atrocidades que estavam por vir. O Rio de Janeiro viveu seu ápice entre copa do mundo e olimpíadas, e agora os moradores veem seu declínio econômico da forma mais dura. E é claro que os quatro, já muito bem instalados, também começam a sofrer com isso. As contas chegam, o aluguel bate à porta, e seus empregos mostram-se medíocres demais para arcar com tudo. A ideia de iniciar jantares com experiências gastronômicas inusitadas vem em um arroubo de criatividade com base em um esquema já conhecido nos Estados Unidos, e que começa a ganhar força no Brasil. Com um quase chef em casa, nada melhor do que tentar entrar nesse mercado que promete dinheiro de um jeito, aparentemente, fácil.

Li outro dia no jornal sobre uma versão brasileira do DinnerWith. JantarSecreto.com. É pra qualquer pessoa com certo talento culinário que quer ganhar um dinheiro extra sem precisar abrir um restaurante. A ideia é fazer a ponte entre essas pessoas e outras dispostas a comer na casa de alguém desconhecido, numa espécie de aventura gastronômica.

A proposta é muito simples. Tendo alguém que sabe cozinhar tão bem, seria um ultraje se eles não aproveitassem a oportunidade. As funções de cada um são designadas sem protestos e por unanimidade, e é assim que os quatro amigos entram em um jogo muito mais intenso do que o esperado. O que começou como um simples meio de ganhar dinheiro e sanar as dívidas, se transforma em algo muito maior e mais perigoso do que nossa imaginação poderia alcançar.

A narrativa de Rapahel Montes é detalhista e crua, causando um desconforto proposital que nos faz questionar a humanidade e o que ela é capaz. Contada em primeira pessoa, a história traz veracidade nos mais simples detalhes, tirando-nos da zona de conforto, enquanto questiona hábitos tão comuns em nossa vida, e outros tão distantes de nossa realidade. 

O livro é todo narrado pelo Dante, porém alguns capítulos trazem cartas escritas por Leitão, direcionadas à sua mãe. A troca de modelo de narração não é grande, mas o suficiente para que entremos ainda mais na história, tendo uma visão diferente da situação, sob o ponto de vista de outro personagem. Além disso, também é possível encontrar no exemplar, imagens semelhantes a print screens de conversas do aplicativo Whatsapp, coisa que dá uma leveza a um momento tenso sem tirar toda a seriedade da situação. Não pensem, no entanto, que este é um livro leve, a narrativa choca e os detalhes podem até ser incômodos. Não que – para mim – tenham sido um empecilho para o andamento da leitura, que fluiu de forma muito ágil, principalmente do meio para o final, quando já me encontrava ávida para descobrir qual seria o desfecho para esses quatro jovens. Muito mais do que “apenas” o dilema dos jantares, temos um bom vislumbre da vida que os protagonistas deixaram para trás quando resolveram se aventurar no Rio de Janeiro.



A teia criminalística de Jantar secreto é tecida com maestria e o desenrolar do enredo nos tira o fôlego, deixando sempre aquela pulga atrás da orelha que persegue do início ao fim: como as coisas chegaram a esse ponto? E até onde irão?
Já tive outras experiências com livros do Raphel, e é sempre uma agradável surpresa ver como ele consegue gerar questionamentos sobre a sociedade, e até sobre nós mesmos e aquelas a nossa volta. Nem preciso dizer que recomendo muito, não só esse livro do autor, como suas outras histórias já publicadas! Mais uma vez não me decepcionei nem um pouco e entrei para o time que só conseguiu tecer elogios sobre sua nova publicação.


E vocês, já leram algo do autor? Tem vontade?
Deixem aí nos comentários!

2 de agosto de 2017

Leituras de Julho

Oi oi, galera!
Nesse último mês, entre férias atribuladas e maratonas literárias, até que li bastante coisa, e todos foram maravilhosas!



Participei (e estou participando ainda, porque foi prorrogada) da Maratona Literária de Inverno, organizada pelo Victor Almeida, do canal literário Geek Freak, fato que me ajudou a dar uma boa alavancada no fim do mês, apesar de não ter concluído minha ousada meta de nível intermediário, com seis livros. Mas enfim, esses foram os livros lidos:

1. Mestre das chamas - Joe Hill (Resenha feita para outro blog, clique aqui)

Ninguém sabe exatamente como nem onde começou. Uma pandemia global de combustão espontânea está se espalhando como rastilho de pólvora, e nenhuma pessoa está a salvo. Todos os infectados apresentam marcas pretas e douradas na pele e a qualquer momento podem irromper em chamas.
Nos Estados Unidos, uma cidade após outra cai em desgraça. O país está praticamente em ruínas, as autoridades parecem tão atônitas e confusas quanto a população e nada é capaz de controlar o surto.
O caos leva ao surgimento dos impiedosos esquadrões de cremação, patrulhas autodesignadas que saem às ruas e florestas para exterminar qualquer um que acreditem ser portador do vírus.
Em meio a esse filme de terror, a enfermeira Harper Grayson é abandonada pelo marido quando começa a apresentar os sintomas da doença e precisa fazer de tudo para proteger a si mesma e ao filho que espera.
Agora, a única pessoa que poderá salvá-la é o Bombeiro – um misterioso estranho capaz de controlar as chamas e que caminha pelas ruas de New Hampshire como um anjo da vingança.
Do aclamado autor de A estrada da noite, este livro é um retrato indelével de um mundo em colapso, uma análise sobre o efeito imprevisível do medo e as escolhas desesperadas que somos capazes de fazer para sobreviver.


2. Para educar crianças feministas - Chimamanda Ngozi Adichie (Resenha aqui)
Após o enorme sucesso de Sejamos todos feministas, Chimamanda Ngozi Adichie retoma o tema da igualdade de gêneros neste manifesto com quinze sugestões de como criar filhos dentro de uma perspectiva feminista. Escrito no formato de uma carta da autora a uma amiga que acaba de se tornar mãe de uma menina, Para educar crianças feministas traz conselhos simples e precisos de como oferecer uma formação igualitária a todas as crianças, o que se inicia pela justa distribuição de tarefas entre pais e mães. E é por isso que este breve manifesto pode ser lido igualmente por homens e mulheres, pais de meninas e meninos. Partindo de sua experiência pessoal para mostrar o longo caminho que ainda temos a percorrer, Adichie oferece uma leitura essencial para quem deseja preparar seus filhos para o mundo contemporâneo e contribuir para uma sociedade mais justa.

3. Nossa música - Dani Atkins
Ally e Charlotte poderiam ter sido grandes amigas se David nunca tivesse entrado em suas vidas. Mas ele entrou e, depois de ser o primeiro grande amor (e também a primeira grande desilusão) de Ally, casou-se com Charlotte. 
Oito anos depois do último encontro, o que Ally menos deseja é rever o ex e sua bela esposa. Porém, o destino tem planos diferentes e, ao longo de uma noite decisiva, as duas mulheres se reencontram na sala de espera de um hospital, temendo pela vida de seus maridos. Diante de incertezas que achavam ter vencido, elas precisarão repensar antigas decisões e superar o passado para salvar aqueles que amam. 
Com a delicadeza tão presente em seus livros, Dani Atkins mais uma vez nos traz uma história de emoções à flor da pele, um drama familiar comovente que não deixará nenhum leitor indiferente.